ESQUECERAM O MEU PINTO
Ensaio – Ninaldo Valejo PINTO
Algumas coisas batem de estalo e não é que eu havia esquecido que eu tinha um PINTO?!, sim, bem ali na frente, em letras maiúsculas como foi posto pela recepcionista da companhia aérea?
- PINTO, Ninaldo Valejo e ainda tinha o complemento: Mr / Sr., Quer dizer um Mister Pinto ou um Senhor Pinto viajando por aí distraidamente sem se dar conta de que verdadeiramente é um Mr. PINTO.
Quando fiz o concurso para ingressar na CHESF, Cia. Hidro Elétrica do São Francisco, em 1969, a empresa que organizou o concurso imprimiu o meu crachá da seguinte maneira: PINTO, Ninaldo Valejo; Assim, após ter sido classificado em primeiro lugar, é lógico que o Pinto veio na frente, o primeiro da lista; Assim a relação foi enviada para o Setor de Pessoal e assim fui admitido, o Pinto primeiro e depois, Eu, Ninaldo Valejo.
A minha lotação era em uma Usina Termelétrica e eu seria a pessoa que teria contato com todos os funcionários, pois, seria o Secretário da Usina e assim, os trabalhadores não acertariam meu pré-nome (Ninaldo), tão pouco o segundo, mais complicado (Valejo), além do mais, um outro Valejo também era daquele setor e não me restaria outra opção a não ser colocar o meu Pinto na frente e seguir avante (desculpem o trocadilho). Até que tentei o nome de guerra : Ninaldo, não tinha condições, a “peãozada” falava tudo: Niraldo, Nivaldo, Vivaldo, Linaldo,Ninado, só não pronunciavam o verdadeiro e após algumas semanas resolvi assumir o meu Pinto.
Mas, logo logo o Pinto foi promovido, trabalhando na área técnica o Pinto teria mais condições de “subir na vida” como dizem os mais experientes e foi justamente para área de telecomunicações e assim o Pinto passou a ser familiar a todos os funcionários do sistema, tanto na Bahia como em todo nordeste brasileiro.
Buscando sempre o seu desenvolvimento técnico, teve o privilégio de formar um currículo considerável e trabalhando na érea de telecomunicações além de amplamente conhecido fazia amizades por onde passava, todos gostavam do Pinto, era “um cara brincalhão”, eficiente, prestativo e sempre resolvia os problemas técnicos sob sua responsabilidade.
27 anos de trabalho e a amizade do Pinto ficou no coração dos colegas até que chega a hora de aposentar o Pinto, ainda novo é verdade, mas, havia outros caminhos a percorrer e vai ser um meio-palestrante e passa ser reconhecido como Ninaldo Valejo, pronto, foi-se o Pinto, os amigos não usavam mais o meu Pinto e ficou ele ali guardado, meio esquecido e vez por outra lembrado.
Em uma grande reunião em uma empresa muiti-nacional, apresentava um complemento a um projeto e após uma de suas intervenções, um dos participantes pede a palavra e diz em alto e bom som:
-PINTO, estou muito feliz por te ver tão atuante e fazendo um trabalho de construção de uma sociedade mais evoluída ... e aí o interlocutor mandou a pergunta, que não lembro agora o que foi mesmo. Claro, todos riram bastante, a palestra ganhou um clima bastante alegre... -todos os participantes passaram a rir compulsivamente com a intervenção do Irmão elogiando o Pinto, Eu.
Demorou algum tempo até a platéia se acalmar e eu poder explicar o que aquele colega pretendia dizer; Identifiquei-o e vi um colega de longa jornada na Chesf que me conhecia como Pinto, que era o meu nome de guerra na Empresa e como havia algum tempo em que não nos víamos, ainda guardava aquela imagem de um jovem “brincalhão” e gozador. Agradeci o elogio e mais ainda, agradeci por ter despertado o meu Pinto, que há muito não era usado pelos meus interlocutores e amigos.
Ah! Que felicidade ter um Pinto ressuscitado!! Quantas lembranças vieram à mente, tempos que guardo com muito carinho na minha lembrança e saudades dos amigos que construí naquele período de trabalho e estudos; Mas era o meu projeto de vida, buscar uma outra atividade depois da aposentadoria, para ganhar mais amigos, para não deixar que o Pinto saísse de cena assim em definitivo. Agradeci novamente pelo despertar do meu Pinto e prossegui a palestra.
Voltei para casa muito feliz e conversando com o meu Pinto:
-Ah amigo Pinto, quanto tempo não te verbaliza, perdoe pelo esquecimento, pelo desuso e garanto que, daqui pra frente, primeiro vai o Pinto, depois Eu.
Ninaldo
Caro amigo PINTO,
ResponderExcluirSempre prestigiei a sua boa vontade e principalmente a sua coragem e determinacao para resolver problemas. Neste seu blog gostaria de ver as historias protagonizadas por esse sugestivo sobrenome que nem todos que tem o privilegio de ostentar. Alem das otimas recordacoes, ainda hoje, ao olhar abaixo, nao sem antes me curvar para contornar a barriga criada em anos de Skol, lembro num só roldão da Baía, da Ilha, de Amoreira, da cidade de Itaparica. Resta parabeniza-lo pela iniciativa de escrever este blog botando pra fora a sua veia de escritor. Abracos do amigo de ha muito tempo ----Adelson