terça-feira, 23 de novembro de 2010

PINTO, CEM ANOS DE VIRTUDES !

VOU FINGIR QUE NÃO DÓI !
23.10.1910 23.10.2010

Arnaldo de Menezes Pinto, o maior amigo, o maior Mestre, o maior presente que Deus me deu.
Às vezes é preciso fingir que não dói, mas, a poeira da ampulheta do tempo aciona o alarme e, mesmo sem querer, a sua ausência me causa grande dor. Ainda tenho estes sentimentos, de alegria, dor, saudade, vontades e mesmo inconscientemente ainda contam o tempo olhando a areia passar pelo estreito gargalo da ampulheta e matematicamente percebo que hoje o tempo conta um século do seu nascimento, cem anos e a felicidade me invade quando percebo que, nós vivemos os melhores dessa areia, caminhamos juntos os nossos melhores dias, conversamos sentados na grama do parque em frente ao mar, ajustamos os nossos sentimentos, quando você ainda dimensionava, trocamos as mais íntimas confidências e passamos coladinhos pelo gargalo dessa ampulheta e nos regozijamos no largo espaço da sua base, mesmo sabendo que não subiríamos para tornar a descer e caminhar juntos novamente, mas, a experiência de viver ao seu lado foi tão significante que não seria necessário um novo conviver.
Desde o dia em que fizemos um trato de que fingiria que morreria e eu fingiria que ficarias vivo, passamos a viver juntos, uma só vida, e agora, apenas um grão de areia trilha o relógio do tempo, mas, ele representa nós dois, tão um que não dá mais para identificar o que era eu e o que é você.
Não contarei outros cem, não assim com saudades, com alegrias, com todos os sentimentos, sei que a sua dimensão é apenas a dimensão do amor, assim, não nos cabe mais contar, apenas pedir que nesse oceano de virtudes que foi a sua breve passagem por aqui, permita o Pai Celestial, o Deus do nosso coração, da nossa compreensão, que pela Sua Magia, esses dois grãozinhos de areia novamente se encontrem no mundo celeste; Nós saberemos nos identificar, com certeza.
Me basta agora enxugar as lágrimas que me correm com o lenço que você me deu, e eu retribuirei todos os nossos momentos com o sentimento que você me ensinou, te amando.
Ninaldo Valejo PINTO
Ensaio 23.11.10

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

REUNIÃO DE PINTOS

REUNIÃO DE PINTOS
Pinto,Ninaldo.Valejo Ensaio 18.11.10

Outra história desse Pinto, que, não é apenas um pinto, sou Eu, Pinto, Ninaldo Valejo, mas, como já estão cansados de saber, desde o São Jorge dos Ilhéus, desde o naufrágio, carrego esse Pinto, aliás, o caso do naufrágio foi com o Ninaldo, o barco.
Trabalhamos no Serviço de Telecomunicações da CHESF e mantínhamos estreitas relações com a Telebahia, operadora de telefonia fixa na época, e para atender as necessidades de comunicação tínhamos com a equipe técnica de Telebahia, reuniões regulares.
Em uma dessas reuniões, na Sede da Telebahia, chegamos um pouco atrasado, coisa comum aqui na terra e o Engº Sérgio da Telebahia já havia iniciado a reunião enquanto aguardava a minha chegada e pediu a sua secretária para me localizar e avisá-lo.
Quando cheguei à portaria do prédio, a segurança informou a minha chegada e que estava subindo; Prontamente a secretária entreabriu a porta da sala de reunião e avisou que já havia localizado o ‘Seu’ Pinto e que ele já estava subindo!
Fechou a porta inocentemente, sem importar com o que havia provocado com o seu aviso e logo me avistou e voltou a entreabrir a porta e avisar:
- Dr. Fred, o “seu” Pinto já esta aqui dentro!
Ainda deu para ouvir o Sérgio perguntar:
- Aí dentro onde Inocência?! Pelo Amor de Deus !!!
Aproveitei a confusão e entrei na sala, não sem antes perceber que a Secretária Inocência caíra na “real” sem pode esconder um sorriso tão malicioso que chamou a minha atenção quanto ao seu crachá: Inocência.
Já na sala de reunião? Reunião?! aquilo se transformou num encontro humorístico e cada um acrescentava mais uma pitada de pimenta ao caos que o meu PINTO causara naquela reunião:
- Senta Pinto, falou o Eng° Sérgio: Sentar como? Vocês estão a gargalhar e a pobre da Secretária lá fora morta de vergonha por causa do meu Pinto !!!
Um dos técnicos presentes à reunião falou que também tinha Pinto no seu nome, mas, que o seu Pinto não era tão famoso como o meu que andava de boca em boca, aí o Sérgio interrompeu:
- De que é mesmo que estamos tratando? Isso não é “reunião de Pintos”!!
Bem, era sobre a interligação de um sistema da Telebahia com a CHESF e isso foi resolvido, não sem antes chamar a Secretária e entregar o meu cartão de visitas, PINTO, Ninaldo Valejo e dizer: parabéns pela sua inocência.

sábado, 13 de novembro de 2010

OUTRAS COISAS DO MEU PINTO

OUTRAS COISAS DO MEU PINTO
Ninaldo – ensaio 13.11.10

Sim, muitas outras histórias engraçadas ou não aconteceram ao meu Pinto, digo com letras maiúsculas por tratar-se de um nome e segundo o que me dizem, um Pinto genuinamente brasileiro, baiano de Ilhéus, original e que ao juntar-se a uma espanhola, deu origem a estas “confusões” todas;
Terei que relatar e vocês tenham paciência para saber como esse Pinto entrou no meu nome; mesmo antes da minha concepção esse Pinto tem construído histórias, aqui e no mundo, desde que o Wandmar, galego original fugindo do Generalíssimo Franco e da revolução espanhola, traz a sua família para o Brasil e aporta em Salvador e com uma grande surpresa à bordo, o nascimento de Nina, minha mãe, o que alterava, Graças a Deus o projeto, acho que para melhor e eles vão morar próximo ao Sargento Pinto da Polícia Militar no bairro do Pau Miúdo, era assim que o meu avô Basílio era conhecido, o Sargento Pinto do Pau Miúdo.
Naquele tempo, o tempo não passava tão rapidamente, as coisas aconteciam mais ao natural, devagar e, claro , prazerosamente, as famílias sentavam à calçada para conversarem, para trocarem as notícias que ouviam no rádio Ondas Médias e Curtas, sem FM, , no bonde, na marinete e nas lotações e nesse vai e vem de notícias, chega a notícia de que o filho do Sargento Pinto, Arnaldo, com a Dona Joventina, desposaria a galega Nina, filha do falecido Wandmar com a Dona Eulina.
O Pinto, Arnaldo trabalhava na marinha mercante, um Pinto de porto em porto e até que um belo acidente mudou a história, já tinham dois filhos e era um tempo muito difícil, a 2ª guerra mundial e o Pinto quase foi a pique, o seu navio fora bombardeado e ficou 3 longos dias à deriva; Situação difícil, a Nina esperando mais um Pinto e ele ali naufragado, sem ter apenas um nome para dar ao seu rebento. Surge, enfim, ao anoitecer do terceiro dia, um barco de pesca e aproxima-se dos náufragos para socorrê-los e ao amanhecer do quarto dia, chegam à terra firme no litoral de São Jorge dos Ilhéus e o Pinto, Arnaldo, como tinha a função de rádio-telegrafista, tinha também o dever de providenciar as anotações para os relatórios de viagem e não esqueceu de registrar que o barco que os socorreram tinha a seguinte inscrição : NINALDO - Ilhéus – Ba.
Pronto, nascia ali um nome para colocar no meu Pinto, sim, porque com o Pinto o eu já nasceria, fosse homem ou mulher, aqui na família não tem opção , tudo tem Pinto e eu fiquei assim: Pinto, Ninaldo Valejo que nasceu no mês seguinte ao naufrágio. Aquele fato, não sei se o meu nascimento ou a saudade da sua bela Nina, fez o Arnaldo trocar a marinha pela Panair do Brasil, ah! Vocês não conhecem, era a companhia aérea mais influente na época e assim, o Sr. Pinto, Arnaldo começou a arte de voar e criar sua prole, que, inclusive passou a crescer com mais brevidade e nas asas da Panair.
Mas, não era sobre isso que eu queria escrever, mudei a direção do texto, mas, foi outro acidente, depois eu conto outro causo.
Bom final de semana e me deixem pescar, vocês viram que trago no DNA a mania da pescaria, obrigado pescadores do barco Ninaldo - Iléus Bahia.
Vou pescar !!!

sábado, 6 de novembro de 2010

ESQUECERAM O MEU PINTO

ESQUECERAM O MEU PINTO

Ensaio – Ninaldo Valejo PINTO

Algumas coisas batem de estalo e não é que eu havia esquecido que eu tinha um PINTO?!, sim, bem ali na frente, em letras maiúsculas como foi posto pela recepcionista da companhia aérea?

- PINTO, Ninaldo Valejo e ainda tinha o complemento: Mr / Sr., Quer dizer um Mister Pinto ou um Senhor Pinto viajando por aí distraidamente sem se dar conta de que verdadeiramente é um Mr. PINTO.

Quando fiz o concurso para ingressar na CHESF, Cia. Hidro Elétrica do São Francisco, em 1969, a empresa que organizou o concurso imprimiu o meu crachá da seguinte maneira: PINTO, Ninaldo Valejo; Assim, após ter sido classificado em primeiro lugar, é lógico que o Pinto veio na frente, o primeiro da lista; Assim a relação foi enviada para o Setor de Pessoal e assim fui admitido, o Pinto primeiro e depois, Eu, Ninaldo Valejo.

A minha lotação era em uma Usina Termelétrica e eu seria a pessoa que teria contato com todos os funcionários, pois, seria o Secretário da Usina e assim, os trabalhadores não acertariam meu pré-nome (Ninaldo), tão pouco o segundo, mais complicado (Valejo), além do mais, um outro Valejo também era daquele setor e não me restaria outra opção a não ser colocar o meu Pinto na frente e seguir avante (desculpem o trocadilho). Até que tentei o nome de guerra : Ninaldo, não tinha condições, a “peãozada” falava tudo: Niraldo, Nivaldo, Vivaldo, Linaldo,Ninado, só não pronunciavam o verdadeiro e após algumas semanas resolvi assumir o meu Pinto.

Mas, logo logo o Pinto foi promovido, trabalhando na área técnica o Pinto teria mais condições de “subir na vida” como dizem os mais experientes e foi justamente para área de telecomunicações e assim o Pinto passou a ser familiar a todos os funcionários do sistema, tanto na Bahia como em todo nordeste brasileiro.

Buscando sempre o seu desenvolvimento técnico, teve o privilégio de formar um currículo considerável e trabalhando na érea de telecomunicações além de amplamente conhecido fazia amizades por onde passava, todos gostavam do Pinto, era “um cara brincalhão”, eficiente, prestativo e sempre resolvia os problemas técnicos sob sua responsabilidade.

27 anos de trabalho e a amizade do Pinto ficou no coração dos colegas até que chega a hora de aposentar o Pinto, ainda novo é verdade, mas, havia outros caminhos a percorrer e vai ser um meio-palestrante e passa ser reconhecido como Ninaldo Valejo, pronto, foi-se o Pinto, os amigos não usavam mais o meu Pinto e ficou ele ali guardado, meio esquecido e vez por outra lembrado.

Em uma grande reunião em uma empresa muiti-nacional, apresentava um complemento a um projeto e após uma de suas intervenções, um dos participantes pede a palavra e diz em alto e bom som:

-PINTO, estou muito feliz por te ver tão atuante e fazendo um trabalho de construção de uma sociedade mais evoluída ... e aí o interlocutor mandou a pergunta, que não lembro agora o que foi mesmo. Claro, todos riram bastante, a palestra ganhou um clima bastante alegre... -todos os participantes passaram a rir compulsivamente com a intervenção do Irmão elogiando o Pinto, Eu.

Demorou algum tempo até a platéia se acalmar e eu poder explicar o que aquele colega pretendia dizer; Identifiquei-o e vi um colega de longa jornada na Chesf que me conhecia como Pinto, que era o meu nome de guerra na Empresa e como havia algum tempo em que não nos víamos, ainda guardava aquela imagem de um jovem “brincalhão” e gozador. Agradeci o elogio e mais ainda, agradeci por ter despertado o meu Pinto, que há muito não era usado pelos meus interlocutores e amigos.

Ah! Que felicidade ter um Pinto ressuscitado!! Quantas lembranças vieram à mente, tempos que guardo com muito carinho na minha lembrança e saudades dos amigos que construí naquele período de trabalho e estudos; Mas era o meu projeto de vida, buscar uma outra atividade depois da aposentadoria, para ganhar mais amigos, para não deixar que o Pinto saísse de cena assim em definitivo. Agradeci novamente pelo despertar do meu Pinto e prossegui a palestra.

Voltei para casa muito feliz e conversando com o meu Pinto:

-Ah amigo Pinto, quanto tempo não te verbaliza, perdoe pelo esquecimento, pelo desuso e garanto que, daqui pra frente, primeiro vai o Pinto, depois Eu.

Ninaldo